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domingo, 13 de julho de 2014

Dia Brasileiro do Rock







13 de Julho, Dia Mundial do Rock. 

Combinaram esse dia porque o primeiro Live Aid foi organizado em Londres nessa data, em 1985, com o objetivo de arrecadar fundos para o combate à fome na Etiópia. Mas deu tanta gente bacana, tanta banda foderástica, que o significado foi ampliado. Elvis Costelo, Sting, Bryan Ferry e David Gilmour, U2, Dire Straits, Queen, The Who, Zeppelin, Clapton, B.B. King, Elton John, Paul McCartney, Keith, Mick e Ronnie dos Stones... O Phill Collins lançou que a coisa deu tão certo, que aquele poderia até ser considerado como o dia mundial do rock. Deu a dica.

Junta-se a isso o fato de que a primeira apresentação dos Rolling Stones, no n. 90 da Wardour Street de Londres (o lendário Marquee Club), foi realizada na madrugada do dia 12 para o dia 13 de julho de 1962. Depois da deixa do Phill Collins, a galera toda não achou nenhum pouco ruim cravar a bandeira na data. Peso não faltava.

Agora, o interessante é que quem decidiu isso tudo não foi o Phill Collins, nem ninguém dos Rolling Stones. Ali no início de 1990, duas rádios do segmento rock paulistano (a 89 FM e a 97 FM - esta última, nos dizeres absolutamente fundamentados do Kid Vinil, atualmente traidora do movimento) resolveram jogar as palavras do Collins na pista pra divulgar suas programações e a coisa pegou!

Sim, senhoras e senhores! O Dia Mundial do Rock é criação brasileira! O "contra" disso é que só é comemorado no Brasil, hehe. A maioria dos outros países simplesmente ignora a data e não separa qualquer ocasião para celebrar os nossos heróis. 

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Nessa mesma data, comemora-se o primeiro gol na história das Copas do Mundo, pelo jogador francês Lucien Laurent, o primeiro álbum do Sinatra e a segunda brasileira Miss Universo. No Brasil, ainda celebra-se nessa data o dia do Engenheiro de Saneamento, o nascimento do Estatuto da Criança e do Adolescente e do João Bosco.

Dia cheio!

=>  Kid Vinil no Whiplash: http://whiplash.net/materias/news_861/111549-kidvinil.html

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Sobre "I Want You (She's So Heavy)", dos Beatles




Depois que o rótulo de "Reis do iê-iê-iê" pegou, os Beatles poderiam muito bem ter vivido e sobrevivido o resto de suas vidas apresentando suas baladas marcantes, suaves, inocentes, com pouca variação instrumental. Se hoje existe uma galera que faz isso, sobrevivendo de beijos no ombro, camaros amarelos e a porcaria toda, imagina no caso deles, que haviam criado o suficiente para refazer o curso da história musical - ainda que, analisados hoje, hits como "Love me Do" e "She loves you" pareçam fracas em letras e arranjos. Eram figurinha batida nos #1 de rádios do mundo todo.

Mas o mais legal é que, rebelando-se contra a própria tendência que criaram, o quarteto de Liverpool se reinventou por diversas vezes. Em 1969 , a dupla Lennon-McCartney lançou essa coisa maravilhosa chamada "I Want You (She's So Heavy)", última faixa do Lado A (ou, como dizem alguns, 'Lado Lennon' - em contraposição ao Lado B/McCartney) do disco "Abbey Road", que ainda tinha "Come Together", "Something" e "Here Comes The Sun" (para não mencionar "Golden Slumbers" "Carry That Weight" e "The End"). Imagina gravar um disco desses!!


Essa canção abriu os trabalhos de gravação do disco que marcaria a última vez em que John, Paul, George e Ringo estiveram juntos em um estúdio.

Especificamente sobre "I Want You", existe, implícito na letra, forte influência de Yoko Ono e de heroína - ambas em início de relação com John Lennon. O resultado é considerado como a primeira música de heavy metal de todos os tempos - mas dá pra sacar também um bom punhado de rock progressivo e até uns fiapos de grunge à la Pearl Jam.

Escutando até o fim, incomoda muito a parada abrupta antes do fim. Incomoda mesmo! Tipo, "parou por quê, meu?" Causou polêmica na época, mas a edição final foi feita assim de propósito pelo Lennon (Ele teria pedido pra cortarem exatamente aos 7 minutos e 44 de música. Mas há quem diga que o rolo de gravação acabou, e ficou por isso mesmo), o que de certa forma reflete as ideias meio esquisitonas e inovadoras que pairavam.

Slash incluiu os riffs dessa música entre os 10 melhores de todos os tempos, segundo suas influências.

Lennon nos vocais principais. The Beatles, ladies and gentlemen.




I Want You (She's So Heavy)
Lennon / McCartney

I want you 
I want you so bad 
I want you 
I want you so bad 
It's driving me mad 
It's driving me mad 

I want you 
I want you so bad, babe 
I want you 
I want you so bad 
It's driving me mad 
It's driving me mad 

I want you 
I want you so bad 
I want you 
I want you so bad 
It's driving me mad 
It's driving me mad 

I want you 
I want you so bad, babe 
I want you 
I want you so bad 
It's driving me mad 
It's driving me mad 

She's so heavy 
heavy, heavy, heavy, heavy 

I want you 
I want you so bad 
I want you 
I want you so bad 
It's driving me mad 
It's driving me mad 

I want you 
I want you so bad, babe 
I want you 
You know I want you so bad 
It's driving me mad 
It's driving me mad 

Yeah, she's so heavy 
heavy, heavy, heavy, heavy 

I want you 
I want you so bad 
I want you 
I want you so bad 
It's driving me mad 
It's driving me mad 

I want you 
I want you so bad, babe 
I want you 
You know I want you so bad 
It's driving me mad 
It's driving me mad 

She's so"




segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Gilby Clarke no Bolshoi Pub




14/11/2013 - Goiânia/GO

Qualquer pessoa que trabalhe com Axl Rose, em algum ponto, chega à inevitável conclusão: “Esse cara quer que eu seja empregado dele”. E com Gilby Clarke não foi diferente. Até porque ele era, efetivamente, músico contratado do Guns'n'Roses no período em que tocou com Slash e companhia, entre 1991 e 1994.

Clarke substituiu Izzy Stradlin nas guitarras bases (que eram brochantemente ligadas alguns decibéis abaixo das guitarras solos de Slash) após esse último decidir pelo seu desligamento do Guns, de forma misteriosa até para os próprios membros da banda. Em sua autobiografia, Slash conta que Izzy, um dos que mais usava drogas durante as turnês, em certo ponto sumiu e não compareceu mais aos ensaios. Telefonou depois para Axl, dizendo que estava fora da banda. Ele mesmo, Stradlin, disse posteriormente que, uma vez que houvesse largado as drogas, enxergou a bagunça que era sua vida com o Guns, e decidiu se afastar. Isso da metade para o fim de 1991. Retomou contato com os antigos bandmates apenas de uns anos pra cá. Enfim.

Em meio ao rebuliço dos fãs mais radicais, Gilby assume seu posto. A fase ficou marcada no clipe de “Don't Cry”, em que um cartaz com os dizeres “Where's Izzy?” aparece discretamente na tela. Axl, nas turnês do “Use Your Illusion”, o apresentava como sendo Gilby Clarke...the man with the new corvette”.


Por falar em “Use Your Illusion”, essa foi a grande sorte de Gilby. Ter substituído Izzy no curso da turnê mundial e no auge do sucesso da banda o tornou um rosto conhecido em frações de segundo. Ele é o cara que aparece em todas as filmagens do famoso show no Tokyo Dome, no Japão, eternizado em uma das raras apresentações do Guns em qualidade de som e imagem superiores. Praticamente todo o resto é bootleg ou essa depressão de banda que é atualmente, com a empresa Axl Inc.

Ou seja, Gilby foi apresentado, conhecido e eternizado em grande estilo. O segundo cara dos lenços (o primeiro, obviamente, é o Steven Tyler). O cara do corvette novo.

No dia 14/11, ele voltou ao Brasil para uma série de 4 apresentações. De Los Angeles, desceu direto em Goiânia, no Bolshoi Pub, para passar o som.

Quando eu cheguei, antes da “abertura dos portões”, não tinha ninguém na porta do pub. O preço do ingresso a R$110,00, somado ao início do Festival Vaca Amarela no Martim Cererê (bandas boas a preços justos), e a tensão pré-Caldas Country que esvaziou a cidade contribuíram também para o esvaziamento do show. Uma pena. Alguns minutos depois das 21h30, vi Andria e Ivan Busic (os irmãos Dr. Sin que acompanham Gilby na turnê brasileira e que dispensam apresentações) saírem pela porta principal, após a passagem de som. Desci os olhos pro celular pra comentar com a galera do WhatsApp e, quando levanto novamente, o cara tá na minha frente, ainda de mala em punhos. Isso mesmo, o cara do corvette novo. Arrebentado pelas horas de vôo, blazer amassado, cabelos ensebadamente rock'n'roll, óculos de sol aviador quando o sol já havia sumido há, pelo menos, 4 horas... Cara, isso é estar na estrada.

E foi heroico ver aquele sujeito destruído por mais de 12 horas de vôo subir no palco empunhando sua Les Paul Goldtop historicamente surrada e enfrentar pouco mais de 200 pessoas ansiosas por vê-lo, tratando-as como se fossem o Tokyo Dome lotado, de outros anos. Pelo menos foi assim na primeira música – por ironia, “Wasn't Yesterday Great”. Depois de alguns “urrul” da plateia, ele caiu na real de que não estava nos fantásticos e apertados pubs de Hollywood. Aquilo era Goiânia do pé rachado.

Depois da primeira, veio “Black”, um clássico da sua carreira solo. Aliás, músicas dessa fase sobraram. Muita gente foi para ouvir Guns'n'Roses - e se decepcionou, porque ele tocou só “It's So Easy” e a batidíssima “Knocking on Heavens Door”, que nem é do Guns, diga-se de passagem. Knocking, pra mim, é como Pais e Filhos da Legião, Come As You Are do Nirvana, Another Brick In The Wall do Pink Floyd. Músicas fantásticas, mas que não refletem a profundidade obra da banda e viraram gigantescos “arroz com feijão”. No caso do Gilby, hits como “Cure me... or kill me”, “Tijuana Jail”, “Motorcycle Cowboys” (da fase do Kill for Thrills) e “Be Yourself” (do Rockstar Supernova), verdadeiras peças do Hollywood HardRock farofa de raiz, permanecem de lado sem o seu devido valor. Ele tocou todas, para uma plateia morna. Me excluo dessa.

Mas o pior foi quando ele disse “Now, I'll play a song of a great band. The band who inspired me. Do you know The Rolling Stones?” ou algo nesse sentido. Uma música dos Stones! Que isso! Casa abaixo era o mínimo. Mas o que se ouviu foram alguns aplausos isolados, no máximo um “urrul!” que surpreendeu ao próprio Gilby. E mandou ver “It's Only Rock'n'Roll (but I like it)”. E mais tarde, antes de começar Dead Flowers (também dos Stones), mandou essa “Do you want more Stones? Oh, come on, I'll play whatever the fuck I want”.

"Anybody out there?"
Performances fantásticas dos irmãos Busic e do próprio guitarman. Apesar da plateia, o show seguia ótimo. A parte patética veio na própria “Knocking On Heavens Door”. Cantando a versão do Guns, ele pediu participação da plateia no coro final. E a cada vez que não era 100% correspondido (ou seja, quase sempre), ele mandava pérolas. De primeiro, disse “Oh my god! You sounded like angels!”. Da segunda, mandou “This night will be amazing!”. Na terceira, falou “I've never heard something like this before. Admit it! You've been practicing!”. Era de morrer de rir, por falta de outra palavra mais trágica. A culpa não foi dele.



Por fim, encerrou com “Tijuana Jail”, dizendo que mal espera para voltar a Goiânia novamente para agitar as coisas. Voltou rapidamente para o encore, tocou “Alien” e sumiu para o backstage. Impressionante é que, pelo que li por ai, o show no Bolshoi parece ter sido bem melhor que o de Uberlândia, São Paulo e Rio de Janeiro.

De qualquer forma, Gilby é um cara impressionante. Respira, vive, veste, exala rock'n'roll. É um legítimo rockstar, um guitar hero, e de uma simpatia invejável. Mesmo com uma plateia pouco receptiva, com o cansaço da estrada e numa cidade desconhecida pra ele, conseguiu fazer um show memorável. Um setlist de 11 músicas, com pouco mais de 1 hora de duração, mas que, pra mim, valeu cada minuto (e começou pontualmente! Ao contrário de certa Maria Gadu, que no mesmo dia e horário deixava a plateia esperando 3 horas pelo início do show no Centro Cultural Oscar Niemeyer). Gosto de pensar que esses caras são história viva. Em maior ou menor grau, participaram da formação do que conhecemos hoje como rock'n'roll. São os Napoleões, Getúlios e Joanas D'Arc do meu estilo favorito – e ainda existem, respiram por ai.


E ainda faturei uma palheta!



14/11/2013 0h00 – Goiânia/GO, Bolshoi Pub
SETLIST:

1. Wasn't Yesterday Great
2. Black
3. It's Only Rock 'n' Roll (But I Like It) (cover dos Rolling Stones)
4. Motorcycle Cowboys (música do Kill for Thrills)
5. Be Yourself (música do Rock Star Supernova)
6. It's So Easy (música do Guns N' Roses)
7. Cure Me ... Or Kill Me ...
8. Knockin' on Heaven's Door (música do Bob Dylan, versão do Guns N' Roses)
9. Dead Flowers (cover dos Rolling Stones)
10. Tijuana Jail 
 
Bis:

11. Alien 


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Caldas Country é mais rock'n'roll que o Pablo Kossa



Mick Jagger, até hoje, diz que um dos episódios mais nefastos da história dos Rolling Stones foi o evento ocorrido em Altamont, na Califórnia, em 1969.
No dia 6 de dezembro daquele ano, os Stones promoveram um mega concerto em Altamont Speedway, um autódromo no meio do deserto, com entrada livre para quem quisesse ir. A ampla divulgação nas rádios da época levou cerca de 300 mil pessoas ao local, bem mais do que a quantidade esperada pelos organizadores.
Na programação, além do grupo de Mick Jagger e Keith Richards, ainda estava prevista a aparição de Jefferson Airplane, The Flying Burrito Brothers e Grateful Dead. A segurança ficou por conta do bando de motoqueiros Hell's Angels.
 
Dizem que os Angels foram contratados diretamente pelo produtor dos Stones, para realizar unicamente a segurança do grupo, não do evento todo. O pagamento, só o dinheiro da cerveja.

A bagunça foi enorme. Imagine só que o público recorde do Rock In Rio, em 2001, com o show do Red Hot Chilli Peppers, foi de 250 mil pessoas. Com a organização do Medina, numa Cidade do Rock construída especialmente para o evento. Agora imagine, em 1969, aproximadamente 300 mil pessoas no meio do deserto da Califórnia, com a segurança feita pelos Hell's Angels! Os caras usaram as próprias motos como barricada para conter o público à frente do palco. Só podia dar rolo.

E quando deu o rolo, morreu gente. Várias pessoas foram pisoteadas, muita gente tomou porrada dos motoqueiros, uma grávida (o que ela tava fazendo num show dos Stones, em 69, para 300 mil pessoas?) levou uma garrafada na cabeça e foi internada com traumatismo craniano e quatro homens morreram, dentre eles, Meredith Hunter, um produtor musical controverso. Esfaqueado até a morte por um dos Angels.


  
A confusão foi parcialmente documentada no filme “Gimme Shelter”, lançado em 1970. Dá pena ver a cara de Richards e companhia assistindo às cenas da confusão, no videotape. O mundo do rock parou, aturdido com o poder de mobilização que possuía. E que podia ser mortal.


Era o auge da Era de Aquário. Aproximadamente 4 meses antes, entre os dias 15 e 18 de agosto, a primeira edição do Festival de Woodstock tinha balançado os conceitos morais e musicais da sociedade da época. Enfim, vivíamos a época mais rock 'n' roll da humanidade. Desfilavam, por Londres e Nova York, Hendrix, Joplin, Jagger, Richards, Lennon, Dylan, no ápice de suas criatividades. Marilyn Manson ainda usava fraldas.

Não é papo de saudosista, até porque eu nunca vivi naquela época. Mas as drogas (na maioria absoluta dos casos, maconha e haxixe) eram muito mais fracas (e mais naturais). Cientificamente comprovado. O sexo e a música eram utilizados como forma de chamar a atenção para a parte boa, saudável e produtiva da vida – o oposto da guerra (física e ideológica). Faça amor, não faça guerra.



E dai, de repente, abro a internet e vejo um texto com o título “Caldas Country é mais rock'n'roll que você”. (Por Pablo Kossa – disponível em http://www.aredacao.com.br/colunas/21436/pablo-kossa/caldas-country-e-mais-rock-n-roll-que-voce). Praticamente um jargão, repetido em tom de brincadeira por qualquer um que visse as fotos inusitadas que rodaram pela internet após o evento em Caldas Novas. E reciclado pelo Pablo Kossa.

Vivemos numa época em que o enfrentamento a determinados valores é feito por puro modismo. Ou pra polemizar. É 'cool' questionar a esmo. Enfrentar os pais, esfregar sua preferência sexual na cara dos outros (principalmente os héteros). Não se sensibilizar com a morte ou o prejuízo alheios. Mostrar que é bem resolvido na vida e dono da própria bunda. E postar tudo no twitter.

A falta de educação impera em todos os lugares. E o que vemos são crianças mimadas, que não aceitam 'não' como resposta. Mentes pueris em corpos sarados. Não curtem música. Curtem algum barulho que abafe, temporariamente, algum pouco bom senso existente e os deixe fazer bagunça em paz. E estão dispostos a pagar por isso.

Ai surge o Caldas Country. Com todo o respeito a alguns poucos artistas que se apresentam por lá (sim, porque a maioria é um bando de aproveitadores de onomatopéias): Não se iludam. Ninguém está lá para escutar vocês.

Sem os pais por perto, o bonde da criançada apronta na cidade. O que vemos é diversão de criança mimada: violência gratuita, birra, prostituição em alta, estupros. Morte, sexo explícito, um zoológico a céu aberto. Vemos a selvageria, a regressão da condição humana a patamares mínimos, sem a baliza da civilidade. E o principal: sem objetivo. Diversão a todo custo. Até agora não consigo entender o que levou um cara a destruir o próprio carro. Subiu em cima, sambou, pulou, quebrou vidros e, por fim, ateou fogo. Uma brincadeira de mais de R$40.000,00.

E ai, vem um texto me dizer que o Caldas Country é mais rock'n'roll que eu. Para mim, o autor não entende nada de rock.

Qualquer pessoa sabe (ou precisa saber) que o rock, de modo geral, é um tipo de atitude, de pensamento de vida, aliado à música. É questionamento constante, inconformismo. Vontade de liberdade, diversão, prazer. É o desafio a valores vigentes. Rebeldia. Tudo regado a amplas doses de consciência política, social, individual. Ainda que fale de amor.
Quer identificar a essência rock'n'roll em alguma coisa? Postura. Analise o contexto da obra, a paisagem, a pintura maior. Geralmente, o rock é do contra, e tem excelentes motivos para tanto. Desde o questionamento social de Bob Dylan, até o inconformismo individual de Kurt Cobain. E não se esqueça da música, pelo amor de Deus. Música.

Preciso falar sobre Caldas Country? Mesmo? Não vou nem dizer que ali, ninguém sabe o que quer, ou onde quer chegar. Só quer o prazer. E não há música. Sim, ela está tocando! Mas ninguém ouve. Não vou citar a violência gratuita que deixaria qualquer “Glimmer Twins” se esquecerem dos Hell's Angels. Não vou citar os atos de sexo banal praticados explicitamente, na frente de câmeras de smartfones, para afirmar sabe-se lá o quê, para sabe-se lá quem.

O Rock é o desafio. É a luta contra a correnteza. O Caldas Country é apenas a confirmação de toda a falta de valores e de motivos que tomam conta de mais de uma geração. É a confirmação do que existe de mais podre na nossa sociedade e que, um dia, há de passar. É a própria correnteza, em si.
 O Rock é a rebeldia contra Caldas Countrys.

Então, Pablo Kossa, ouça mais rock. Leia mais. E pare de falar asneiras. Ou então, tire o chapéu do armário e junte-se aos demais pseudo-rockers, lá em Caldas, ano que vem.
Qualquer pessoa é mais rock'n'roll que o Caldas Country.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

BRODY DALLE, THE DISTILLERS e SPINNERETTE

Bandas que você não pode deixar de conhecer



Brody Dalle faz parte de um seleto grupo de verdadeiras mulheres do rock'n'roll. Daquelas que, assim como Joan Jett, Courtney Love e Chrissie Hynde, adoram esconder seus olhos por trás de sombras carregadas, franjas compridas e arrebentam tudo quando sobem ao palco. Algumas, literalmente. Avril Lavigne até hoje deve ensaiar suas coreografias assistindo aos vídeos dessas figuras míticas no YouTube.

As performances violentas, os vocais roucos dignos de Janis Joplin e a postura aparentemente dura da líder do Spinnerette escondem uma figura sensível (Dalle declarou recentemente que não gosta de ouvir Adele, porque sempre que ouve “Rolling In The Deep” começa a chorar compulsivamente!).

Bree Leslie Pucilowski é australiana de Melbourne, nascida em 1 de Janeiro de 1979, ano em que seus compatriotas do AC/DC presenteavam o mundo com o álbum “Highway to Hell” (apesar de renegados pelo próprio país). Na infância, era fascinada com Cindy Lauper e os Beatles.

Brody Dalle
Nunca foi muito família e, inevitavelmente, tendo sua adolescência coincidido com a ascensão do movimento punk, logo foi parar nas ruas. Aos treze anos de idade, já usava drogas. Chegou a experimentar heroína, mesma época em que começou a tocar guitarra.

Ainda em Melbourne, participou da Rock'N'Roll High School, um movimento feminista do rock australiano e, a partir dai, ninguém mais segurou. Aos 16, fundou sua primeira banda, a punk Sourpuss. Em turnê com essa banda, conheceu Tim Armstrong, vocalista do Rancid (o cara era 13 anos mais velho que ela, que mentiu a idade. Em 1997, aos 18, depois de desmentir a fraude ao Armstrong, acabaram se casando).

Courtney Style
No fim dos anos 90, Brody foi para Los Angeles com Tim. Na Califórnia, em 2000, adotou o sobrenome do marido e fundou outra banda, The Distillers, com um sucesso bem maior que a antecessora. Chegaram a ter uma participação marcante no Festival Lollapalooza. Grande parte do sucesso, entretanto, veio com comparações inevitáveis a Nina Hagen, PJ Harvey e ao Hole, de Courtney Love (que não atravessava uma boa fase, apesar de terem faturado o Grammy do ano por “melhor voz de rock em dupla ou grupo”. Courtney acabou anunciando o fim da banda em 2002).

O Distillers lançou três álbuns, The Distillers (2000), Sing Sing Death House (2002) e Coral Fang (2003). Todos excelentes álbuns, diga-se de passagem. À época, arrebatou milhares de fãs, com sua pegada punk e a rouquidão afinada característica de Brody.

Com o tempo, o sucesso maior e a liberdade de criação, aos poucos o Distillers foi revelando um lado criativamente mais ambicioso de Dalle. Aliás, isso reflete a própria história da banda, que no segundo disco possuía apenas 2 membros da formação original e, no terceiro, apenas a própria Brody.

Em 2003, Tim e Brody se divorciaram. Depois de ser conhecida por inúmeros pseudônimos (Bree Robinson, Bree Joanna Alice Mayer, Bree Joanna Alice Robinson e Brody Armstrong), abandonou o sobrenome do ex-marido e passou a chamar-se apenas de Brody Dalle (em homenagem à atriz Beatrice Dalle, do filme Betty Blue).

Depois de quase 4 anos sem lançar material novo com o Distillers, e ansiando novos rumos na criação, Brody iniciou um projeto paralelo com o guitarrista Alain Johannes (Queens of The Stone Age e Eleven). No começo, era para as duas bandas coexistirem. Mas em 2006, para desespero de milhares de fãs, foi anunciado o fim do Distillers.

Dalle e Johannes: Queens of Distillers

Menos de um ano depois, na metade de 2007, o público soube do projeto paralelo com Johannes, e os fãs órfãos voltaram a ter esperanças. Em março, ao mesmo tempo em que se casava com Josh Homme (o multi-atarefado vocalista do Queens of The Stone Age e Them Crooked Vultures, baterista eventual do Eagles of Death Metal e aparecido em diversos outros projetos paralelos), anunciava o início do Spinnerette.

Aliás, o Spinnerette (assim como o Them Crooked Vultures de Homme) foi considerado uma agradável surpresa no mundo dos super-grupos de rock. Além de Brody (que foi do Distillers) e Alain (guitarra no Queens of The Stone Age e no Eleven), sua formação contou com Tony Bevilacqua (do The Distillers) e Jack Irons (Red Hot Chilli Peppers, Pearl Jam e Eleven).

À época, a vocalista declarou que o “Spinnerette não é uma banda, sou eu e qualquer músico com quem eu quiser trabalhar no momento”. Mas já com o lançamento do primeiro single, Valium Knights, em 08/08/2008, ficou claro que Alain Johannes era mais do que um guitarrista “trabalhando com ela no momento”. Em dezembro de 2008, o EP Ghetto Love (com 04 novas músicas) confirmava a influência criativa decisiva do músico.

Capa do primeiro álbum
Em 2009, o lançamento do primeiro (e até hoje único) álbum da banda, o homônimo Spinnerette, mostrava uma aproximação leve com o som eletrônico, mas mantinha o peso punk do Distillers. Os fãs não estavam mais órfãos! São 13 faixas que compõem um daqueles raros álbuns de se ouvir inteiros, sem pausar, de cabo a rabo.

Eu, particularmente, acho “The Walking Dead”, “Driving Song” e “A Prescription For Mankind” das melhores músicas que já ouvi na vida. Estão entre minhas favoritas. Sem deixar de lado, claro, a fantástica “All Babes Are Wolves” (que me introduziu à banda! Valeu, Hugo chefoso!) e “Impaler”.

Aparentemente, a banda tem privilegiado apresentações ao vivo (fantásticas, a propósito) do que produção em estúdio. Desde o lançamento do primeiro álbum, não foi revelado qualquer material novo (exceto participações esporádicas de Brody em músicas do Queens of The Stone Age e Transplants).

Recentemente em seu twitter, Brody Dalle revelou que está em estúdio produzindo o possível segundo álbum do Spinnerette. Alain Johannes, entretanto, informou que Dalle está tão convicta de suas ideias que as gravações “estão mais para um trabalho solo”. Talvez por conta disso, não leve o nome da banda. Além disso, o guitarrista Tony Bevilacqua não estava nas guitarras durante os ensaios, e Hayden S assumiu as baterias. A história do Distillers parece se repetir. Por enquanto, ainda não há previsão de quando o lançamento do novo material ocorrerá.

O importante é sabermos que Brody Dalle está na ativa. Ela não considera seus filhos com Josh Homme (Camille Homme, de 6 anos  e Orrin Ryder, de 5 meses)  como empecilho e logo deve voltar aos palcos, com áudio novo ou não.

Enfim, para quem curte o bom rock'n'roll, é imprescindível que se conheça a turma da Brody, independentemente de quem seja essa turma.



O aclamado director Liam Lynch produziu o vídeo de lançamento da música "Ghetto Love", faixa principal do EP de mesmo nome, que o Spinnerette lançou em 2008.


FONTES:

Blog Tenho Mais Discos Que Amigos:  
http://tenhomaisdiscosqueamigos.virgula.uol.com.br/2012/03/26/por-onde-anda-brody-dalle/

Site oficial:  
SpinneretteMusic.com/

Wikipedia Brasil:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Spinnerette

Wikipedia US:  
http://en.wikipedia.org/wiki/Brody_Dalle