segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Caldas Country é mais rock'n'roll que o Pablo Kossa



Mick Jagger, até hoje, diz que um dos episódios mais nefastos da história dos Rolling Stones foi o evento ocorrido em Altamont, na Califórnia, em 1969.
No dia 6 de dezembro daquele ano, os Stones promoveram um mega concerto em Altamont Speedway, um autódromo no meio do deserto, com entrada livre para quem quisesse ir. A ampla divulgação nas rádios da época levou cerca de 300 mil pessoas ao local, bem mais do que a quantidade esperada pelos organizadores.
Na programação, além do grupo de Mick Jagger e Keith Richards, ainda estava prevista a aparição de Jefferson Airplane, The Flying Burrito Brothers e Grateful Dead. A segurança ficou por conta do bando de motoqueiros Hell's Angels.
 
Dizem que os Angels foram contratados diretamente pelo produtor dos Stones, para realizar unicamente a segurança do grupo, não do evento todo. O pagamento, só o dinheiro da cerveja.

A bagunça foi enorme. Imagine só que o público recorde do Rock In Rio, em 2001, com o show do Red Hot Chilli Peppers, foi de 250 mil pessoas. Com a organização do Medina, numa Cidade do Rock construída especialmente para o evento. Agora imagine, em 1969, aproximadamente 300 mil pessoas no meio do deserto da Califórnia, com a segurança feita pelos Hell's Angels! Os caras usaram as próprias motos como barricada para conter o público à frente do palco. Só podia dar rolo.

E quando deu o rolo, morreu gente. Várias pessoas foram pisoteadas, muita gente tomou porrada dos motoqueiros, uma grávida (o que ela tava fazendo num show dos Stones, em 69, para 300 mil pessoas?) levou uma garrafada na cabeça e foi internada com traumatismo craniano e quatro homens morreram, dentre eles, Meredith Hunter, um produtor musical controverso. Esfaqueado até a morte por um dos Angels.


  
A confusão foi parcialmente documentada no filme “Gimme Shelter”, lançado em 1970. Dá pena ver a cara de Richards e companhia assistindo às cenas da confusão, no videotape. O mundo do rock parou, aturdido com o poder de mobilização que possuía. E que podia ser mortal.


Era o auge da Era de Aquário. Aproximadamente 4 meses antes, entre os dias 15 e 18 de agosto, a primeira edição do Festival de Woodstock tinha balançado os conceitos morais e musicais da sociedade da época. Enfim, vivíamos a época mais rock 'n' roll da humanidade. Desfilavam, por Londres e Nova York, Hendrix, Joplin, Jagger, Richards, Lennon, Dylan, no ápice de suas criatividades. Marilyn Manson ainda usava fraldas.

Não é papo de saudosista, até porque eu nunca vivi naquela época. Mas as drogas (na maioria absoluta dos casos, maconha e haxixe) eram muito mais fracas (e mais naturais). Cientificamente comprovado. O sexo e a música eram utilizados como forma de chamar a atenção para a parte boa, saudável e produtiva da vida – o oposto da guerra (física e ideológica). Faça amor, não faça guerra.



E dai, de repente, abro a internet e vejo um texto com o título “Caldas Country é mais rock'n'roll que você”. (Por Pablo Kossa – disponível em http://www.aredacao.com.br/colunas/21436/pablo-kossa/caldas-country-e-mais-rock-n-roll-que-voce). Praticamente um jargão, repetido em tom de brincadeira por qualquer um que visse as fotos inusitadas que rodaram pela internet após o evento em Caldas Novas. E reciclado pelo Pablo Kossa.

Vivemos numa época em que o enfrentamento a determinados valores é feito por puro modismo. Ou pra polemizar. É 'cool' questionar a esmo. Enfrentar os pais, esfregar sua preferência sexual na cara dos outros (principalmente os héteros). Não se sensibilizar com a morte ou o prejuízo alheios. Mostrar que é bem resolvido na vida e dono da própria bunda. E postar tudo no twitter.

A falta de educação impera em todos os lugares. E o que vemos são crianças mimadas, que não aceitam 'não' como resposta. Mentes pueris em corpos sarados. Não curtem música. Curtem algum barulho que abafe, temporariamente, algum pouco bom senso existente e os deixe fazer bagunça em paz. E estão dispostos a pagar por isso.

Ai surge o Caldas Country. Com todo o respeito a alguns poucos artistas que se apresentam por lá (sim, porque a maioria é um bando de aproveitadores de onomatopéias): Não se iludam. Ninguém está lá para escutar vocês.

Sem os pais por perto, o bonde da criançada apronta na cidade. O que vemos é diversão de criança mimada: violência gratuita, birra, prostituição em alta, estupros. Morte, sexo explícito, um zoológico a céu aberto. Vemos a selvageria, a regressão da condição humana a patamares mínimos, sem a baliza da civilidade. E o principal: sem objetivo. Diversão a todo custo. Até agora não consigo entender o que levou um cara a destruir o próprio carro. Subiu em cima, sambou, pulou, quebrou vidros e, por fim, ateou fogo. Uma brincadeira de mais de R$40.000,00.

E ai, vem um texto me dizer que o Caldas Country é mais rock'n'roll que eu. Para mim, o autor não entende nada de rock.

Qualquer pessoa sabe (ou precisa saber) que o rock, de modo geral, é um tipo de atitude, de pensamento de vida, aliado à música. É questionamento constante, inconformismo. Vontade de liberdade, diversão, prazer. É o desafio a valores vigentes. Rebeldia. Tudo regado a amplas doses de consciência política, social, individual. Ainda que fale de amor.
Quer identificar a essência rock'n'roll em alguma coisa? Postura. Analise o contexto da obra, a paisagem, a pintura maior. Geralmente, o rock é do contra, e tem excelentes motivos para tanto. Desde o questionamento social de Bob Dylan, até o inconformismo individual de Kurt Cobain. E não se esqueça da música, pelo amor de Deus. Música.

Preciso falar sobre Caldas Country? Mesmo? Não vou nem dizer que ali, ninguém sabe o que quer, ou onde quer chegar. Só quer o prazer. E não há música. Sim, ela está tocando! Mas ninguém ouve. Não vou citar a violência gratuita que deixaria qualquer “Glimmer Twins” se esquecerem dos Hell's Angels. Não vou citar os atos de sexo banal praticados explicitamente, na frente de câmeras de smartfones, para afirmar sabe-se lá o quê, para sabe-se lá quem.

O Rock é o desafio. É a luta contra a correnteza. O Caldas Country é apenas a confirmação de toda a falta de valores e de motivos que tomam conta de mais de uma geração. É a confirmação do que existe de mais podre na nossa sociedade e que, um dia, há de passar. É a própria correnteza, em si.
 O Rock é a rebeldia contra Caldas Countrys.

Então, Pablo Kossa, ouça mais rock. Leia mais. E pare de falar asneiras. Ou então, tire o chapéu do armário e junte-se aos demais pseudo-rockers, lá em Caldas, ano que vem.
Qualquer pessoa é mais rock'n'roll que o Caldas Country.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Os Amarelinhos




Poucacoisa me intriga mais do que o ódio mortal que a sociedade, emgeral, nutre pelos agentes da AMT – Agência Municipal de Trânsito,aqui em Goiânia. Sim, esses caras de boné preto, camisas amarelaschamativas e bloco de notas na mão.

Marronzinho canetando
Em SãoPaulo, os famosos “marronzinhos” (lá, o uniforme deles émarrom) assumem um aspecto até divertido. Lógico que também sofremcom uma dose de raiva, mas é mais leve. São quase figurasfolclóricas. É difícil ver um na rua e não falar “Olha lá omarronzinho”. Aqui, geralmente as pessoas falam “olha lá o FDP”.

Tudo bemque essas figuras polêmicas estejam inevitavelmente associadasàqueles boletos que chegam pra você pagar, de vez em quando, com onúmero da placa do seu carro. Multa é mesmo um dinheiro gasto deforma inútil. Mas, convenhamos: geralmente, você está mesmoerrado! Passou um farol vermelho, estacionou em lugar errado, etc. Sea multa é injusta, existem meios de se contestar a penalidade,apesar do trabalho árduo. Então, coloque a mão na consciência e,em vez de xingar o cara que te multou, xingue sua própria falta debom senso.

Quando euvejo alguém chamando um “Amarelinho” de “FDP”, pra mim,aquela pessoa assinou a confissão de mau motorista. “Sim, eu pioroo trânsito da minha cidade e detesto esses caras vindo me cobrar”.Automaticamente, nutro uma pequena antipatia (pelo xingador, claro).

Nãosejamos inocentes, obviamente: existe corrupção por parte de muitosdesses agentes e, na minha opinião, pouca coisa é mais nojenta queo tal do “cafezinho”. Seria um motivo justo para chamar os carasde “FDP”, exceto por dois detalhes: primeiro, não são todos oscaras que fazem isso; segundo, o crime vem em duas mãos. Ele cobra,mas você topa pagar. Corrupção é de quem solicita e de quem paga.E o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar é tão corruptoquanto, mas não sofre o mesmo ódio por parte da população.

Por outrolado, sabe-se que a nossa cidade tem uma das piores engenharias detrânsito do país! Falta lugar pra estacionar, os congestionamentosse multiplicam, a falta de paciência transborda! Nessa hora, écomum achar justificativas mais do que fortes para furar uma fila,ultrapassar pelo acostamento, parar em local proibido e colocar aculpa na falta de estrutura. Rapaz, aquele aeroporto é uma coisaabsurda! Existem apenas quatro vagas de carro para desembarque, oresto é tomado pelos taxistas da cooperativa local. Uma bagunça.Vale dizer que uns 80% do caos ali na área é provocado por essestaxis. Vira uma corrida louca para pegar passageiro, para não perderlugar na fila, que os caras saem fazendo manobra de filme paratrabalhar. E nisso, o trânsito vai para o brejo. Motivo pra perder apaciência, não falta.

A questãoé a seguinte: Se você fizer a sua parte, o trânsito melhora e vocênão precisa chamar o agente da AMT de FDP. Parece clichê (erealmente é), mas é verdade! Mesmo que falte estrutura, dirija bem!Respeite sua faixa de tráfego! Estacione apenas em locais permitidos(quando não der, pague o estacionamento!). Pense no coletivo! Dêseta! Use os instrumentos que seu carro tem!

Agora, ocúmulo é a pessoa reclamar que tem agente da AMT atrás da árvore,se escondendo para aplicar multas. MEU AMIGO, VOCÊ ESTÁ COM MEDO DE QUÊ? Já viu alguém levar multa por usar cartão de estacionamento?Por parar no sinal vermelho? Por usar cinto de segurança? Radareletrônico de controle de velocidade e outros tipos de fiscalizaçãoeletrônica devem ser, por lei, identificados e devidamentesinalizados. Mas o agente não é obrigado a colocar uma faixa na ruadizendo que vai multar não. Já existe a placa ali dizendo que éproibido estacionar. Existe um semáforo dizendo que, no vermelho, éproibido passar. Todos devidamente identificados. Se você escolheburlar a regra EXPLÍCITA, já está fazendo errado e já estáoficialmente concorrendo a uma multa. Sem chororô.

Claro queexistem situações excepcionais: uma vez, colocaram um radar móvelde fiscalização eletrônica, sem sinalização, numa via onde avelocidade padrão era 60km/h. O radar pegava a partir dos 40km/h.Não precisa nem dizer que, logo logo, colocaram sinalização nolocal, justamente por que as multas eram totalmente irregulares. Masisso foi exceção.

Então,no meio de todas essas considerações, levando em conta que nóssomos praticamente os únicos responsáveis pelo trânsito, eupergunto: Por quê todo esse ódio dos “Amarelinhos”?

Os carasnem andam armados. Provavelmente, devem ser os agentes públicos quemais apanham, no exercício de suas funções. Garanto que, em 99,99%dos casos, de forma injusta.

Faça asua parte. O telefone da central de atendimento da AMT é:0800-646-0118. Se vir algo errado no trânsito, ligue. Quase sempre,os caras resolvem.

ps.: Concorda? Discorda? Quer descontar toda a sua fúria? Deixa seu comentário ai embaixo.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Quanto pesa a Felicidade?




O debatede questões relacionadas à preservação e restauração do meioambiente e à melhoria da qualidade de vida e do bem estar social é um dos principais objetivos da Conferência das Nações Unidas SobreDesenvolvimento Sustentável, a Rio +20, que acontece de 13 a 22 dejunho, aqui no Brasil.

O tema deuma das conferências me chamou bastante a atenção. Trata-se dadiscussão sobre um novo indicador sistêmico, a Felicidade InternaBruta (FIB), que começa a ser adotado em alguns paísesdesenvolvidos, com o apoio do PNUD (Programa das Nações Unidas parao Desenvolvimento).

O FIB foidesenvolvido e adotado, primeiramente, no Butão, um pequeno país doHimalaia (inevitável pensar em centenas de piadas prontas etrocadilhos sobre a felicidade interna do Butão, etc, etc, mas, porfavor, vamos tentar nos concentrar no tema, ok?). Em 1972, o reibutanês Jigme Singye Wangchuck elaborou o novo tipo de indicadorpara contestar as acusações de que seu governo ia mal e a economiade seu país crescia de forma medíocre. Seu objetivo era mostrarque, quase sempre, a economia é insuficiente para medir o progressode uma nação (atualmente, através do PIB – Produto InternoBruto). E começou a chamar a atenção da comunidade internacional.

Apesar deaparentemente subjetivo e ligado a um estado de espíritoextremamente individual (a felicidade), o FIB não se mede apenasperguntando se o cidadão está feliz. Na verdade, para sua aferição,faz-se uma pesquisa referente a 9 áreas do desenvolvimento humano,por meio das quais chega-se a um número final indicativo.

Essasnove dimensões, passíveis de aferição, são: bem-estarpsicológico, saúde, uso equilibrado do tempo, vitalidadecomunitária, educação, cultura, resiliência ecológica,governança e padrão de vida. Critérios, portanto, bem objetivos eque podem ser analisados individualmente pelos governos de um paíspara tentar elevar o seu FIB.

Dessamaneira, o progresso que antes costumava-se medir pelo PIBdiversifica-se em outras áreas, tão importantes quanto a econômica,provendo um panorama mais completo. A renda, tanto familiar quandoindividual, passa a ser apenas um aspecto de uma das nove áreas –o padrão de vida.

Relativamenteà renda, engraçado notar que, após aplicações efetivas ouexperimentais do FIB como indicador em diversos países (Canadá,Inglaterra, Tailândia e até no Brasil, em testes feitos no RioGrande do Sul, São Paulo e núcleo rural de Brasília), constatou-seo oposto do que diz o ditado: Dinheiro traz felicidade, sim! Masapenas até certo ponto. Por meio de pesquisas, ficou claro que afelicidade está indissociavelmente ligada ao conforto e satisfaçãode necessidades, principalmente as básicas, mas que, apósdeterminado patamar de renda, ela passa a não mais influir naqualidade de vida dos indivíduos. Em alguns casos, atrapalha outrasáreas (como o uso equilibrado do tempo ou a vitalidade comunitária,por exemplo) e traz prejuízos.

De formageral, é interessante notar que o FIB é um meio muito mais completode se avaliar o crescimento de uma nação. E, aos cidadãos, umindício de que os governantes realmente prestam atenção àsnecessidades da população. Vamos torcer para que o Brasil adote, emcaráter definitivo, esse tipo de índice. Sem dúvida, seria um dosprincipais ganhos dos brasileiros advindos com a Rio + 20.



FONTES:

Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Felicidade_Interna_Bruta

ABRIL: http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/riomais20/2012/06/13/felicidade-interna-bruta-e-o-novo-modelo-de-desenvolvimento/

ONG: http://www.felicidadeinternabruta.org.br/

quarta-feira, 25 de abril de 2012

BRODY DALLE, THE DISTILLERS e SPINNERETTE

Bandas que você não pode deixar de conhecer



Brody Dalle faz parte de um seleto grupo de verdadeiras mulheres do rock'n'roll. Daquelas que, assim como Joan Jett, Courtney Love e Chrissie Hynde, adoram esconder seus olhos por trás de sombras carregadas, franjas compridas e arrebentam tudo quando sobem ao palco. Algumas, literalmente. Avril Lavigne até hoje deve ensaiar suas coreografias assistindo aos vídeos dessas figuras míticas no YouTube.

As performances violentas, os vocais roucos dignos de Janis Joplin e a postura aparentemente dura da líder do Spinnerette escondem uma figura sensível (Dalle declarou recentemente que não gosta de ouvir Adele, porque sempre que ouve “Rolling In The Deep” começa a chorar compulsivamente!).

Bree Leslie Pucilowski é australiana de Melbourne, nascida em 1 de Janeiro de 1979, ano em que seus compatriotas do AC/DC presenteavam o mundo com o álbum “Highway to Hell” (apesar de renegados pelo próprio país). Na infância, era fascinada com Cindy Lauper e os Beatles.

Brody Dalle
Nunca foi muito família e, inevitavelmente, tendo sua adolescência coincidido com a ascensão do movimento punk, logo foi parar nas ruas. Aos treze anos de idade, já usava drogas. Chegou a experimentar heroína, mesma época em que começou a tocar guitarra.

Ainda em Melbourne, participou da Rock'N'Roll High School, um movimento feminista do rock australiano e, a partir dai, ninguém mais segurou. Aos 16, fundou sua primeira banda, a punk Sourpuss. Em turnê com essa banda, conheceu Tim Armstrong, vocalista do Rancid (o cara era 13 anos mais velho que ela, que mentiu a idade. Em 1997, aos 18, depois de desmentir a fraude ao Armstrong, acabaram se casando).

Courtney Style
No fim dos anos 90, Brody foi para Los Angeles com Tim. Na Califórnia, em 2000, adotou o sobrenome do marido e fundou outra banda, The Distillers, com um sucesso bem maior que a antecessora. Chegaram a ter uma participação marcante no Festival Lollapalooza. Grande parte do sucesso, entretanto, veio com comparações inevitáveis a Nina Hagen, PJ Harvey e ao Hole, de Courtney Love (que não atravessava uma boa fase, apesar de terem faturado o Grammy do ano por “melhor voz de rock em dupla ou grupo”. Courtney acabou anunciando o fim da banda em 2002).

O Distillers lançou três álbuns, The Distillers (2000), Sing Sing Death House (2002) e Coral Fang (2003). Todos excelentes álbuns, diga-se de passagem. À época, arrebatou milhares de fãs, com sua pegada punk e a rouquidão afinada característica de Brody.

Com o tempo, o sucesso maior e a liberdade de criação, aos poucos o Distillers foi revelando um lado criativamente mais ambicioso de Dalle. Aliás, isso reflete a própria história da banda, que no segundo disco possuía apenas 2 membros da formação original e, no terceiro, apenas a própria Brody.

Em 2003, Tim e Brody se divorciaram. Depois de ser conhecida por inúmeros pseudônimos (Bree Robinson, Bree Joanna Alice Mayer, Bree Joanna Alice Robinson e Brody Armstrong), abandonou o sobrenome do ex-marido e passou a chamar-se apenas de Brody Dalle (em homenagem à atriz Beatrice Dalle, do filme Betty Blue).

Depois de quase 4 anos sem lançar material novo com o Distillers, e ansiando novos rumos na criação, Brody iniciou um projeto paralelo com o guitarrista Alain Johannes (Queens of The Stone Age e Eleven). No começo, era para as duas bandas coexistirem. Mas em 2006, para desespero de milhares de fãs, foi anunciado o fim do Distillers.

Dalle e Johannes: Queens of Distillers

Menos de um ano depois, na metade de 2007, o público soube do projeto paralelo com Johannes, e os fãs órfãos voltaram a ter esperanças. Em março, ao mesmo tempo em que se casava com Josh Homme (o multi-atarefado vocalista do Queens of The Stone Age e Them Crooked Vultures, baterista eventual do Eagles of Death Metal e aparecido em diversos outros projetos paralelos), anunciava o início do Spinnerette.

Aliás, o Spinnerette (assim como o Them Crooked Vultures de Homme) foi considerado uma agradável surpresa no mundo dos super-grupos de rock. Além de Brody (que foi do Distillers) e Alain (guitarra no Queens of The Stone Age e no Eleven), sua formação contou com Tony Bevilacqua (do The Distillers) e Jack Irons (Red Hot Chilli Peppers, Pearl Jam e Eleven).

À época, a vocalista declarou que o “Spinnerette não é uma banda, sou eu e qualquer músico com quem eu quiser trabalhar no momento”. Mas já com o lançamento do primeiro single, Valium Knights, em 08/08/2008, ficou claro que Alain Johannes era mais do que um guitarrista “trabalhando com ela no momento”. Em dezembro de 2008, o EP Ghetto Love (com 04 novas músicas) confirmava a influência criativa decisiva do músico.

Capa do primeiro álbum
Em 2009, o lançamento do primeiro (e até hoje único) álbum da banda, o homônimo Spinnerette, mostrava uma aproximação leve com o som eletrônico, mas mantinha o peso punk do Distillers. Os fãs não estavam mais órfãos! São 13 faixas que compõem um daqueles raros álbuns de se ouvir inteiros, sem pausar, de cabo a rabo.

Eu, particularmente, acho “The Walking Dead”, “Driving Song” e “A Prescription For Mankind” das melhores músicas que já ouvi na vida. Estão entre minhas favoritas. Sem deixar de lado, claro, a fantástica “All Babes Are Wolves” (que me introduziu à banda! Valeu, Hugo chefoso!) e “Impaler”.

Aparentemente, a banda tem privilegiado apresentações ao vivo (fantásticas, a propósito) do que produção em estúdio. Desde o lançamento do primeiro álbum, não foi revelado qualquer material novo (exceto participações esporádicas de Brody em músicas do Queens of The Stone Age e Transplants).

Recentemente em seu twitter, Brody Dalle revelou que está em estúdio produzindo o possível segundo álbum do Spinnerette. Alain Johannes, entretanto, informou que Dalle está tão convicta de suas ideias que as gravações “estão mais para um trabalho solo”. Talvez por conta disso, não leve o nome da banda. Além disso, o guitarrista Tony Bevilacqua não estava nas guitarras durante os ensaios, e Hayden S assumiu as baterias. A história do Distillers parece se repetir. Por enquanto, ainda não há previsão de quando o lançamento do novo material ocorrerá.

O importante é sabermos que Brody Dalle está na ativa. Ela não considera seus filhos com Josh Homme (Camille Homme, de 6 anos  e Orrin Ryder, de 5 meses)  como empecilho e logo deve voltar aos palcos, com áudio novo ou não.

Enfim, para quem curte o bom rock'n'roll, é imprescindível que se conheça a turma da Brody, independentemente de quem seja essa turma.



O aclamado director Liam Lynch produziu o vídeo de lançamento da música "Ghetto Love", faixa principal do EP de mesmo nome, que o Spinnerette lançou em 2008.


FONTES:

Blog Tenho Mais Discos Que Amigos:  
http://tenhomaisdiscosqueamigos.virgula.uol.com.br/2012/03/26/por-onde-anda-brody-dalle/

Site oficial:  
SpinneretteMusic.com/

Wikipedia Brasil:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Spinnerette

Wikipedia US:  
http://en.wikipedia.org/wiki/Brody_Dalle

quarta-feira, 21 de março de 2012

Brincando de bandido



Torcida organizada é sempre tema polêmico.

        Freqüentemente confundida com crime organizado, tráfico de drogas e uso ilícito de armas, são elas movimentos sociais legítimos, cujo fim primeiro é apoiar, de forma organizada, os times de futebol a que estão ligadas.
       
        A união organizada e apaixonada em torno de um único objeto cria um vínculo tão forte entre seus membros que a coisa acaba bagunçando, quando uma parte de seus participantes acham as arquibancadas pequenas para seus propósitos e o movimento estende suas atividades para além de seus fins originais.




        A falta de controle sobre os membros da massa organizada (fruto de diretorias fracas, desorganizadas e autoridades públicas incompetentes) dá margem à entrada de todos os tipos de pessoas no grupo, criando clima propício ao desenvolvimento de atividades ilícitas: O chamado crime organizado para fins de tráfico, uso ilícito de entorpecentes e de armas e a violência indiscriminada contra membros de torcidas rivais.

        Obviamente, a incompetência do Poder Público e a falta de caráter da imprensa distorcem a realidade, criando um monstro de sete cabeças que não existe. A população execra o movimento legítimo e é onde surge a falsa confusão entre torcida organizada e crime organizado.

        Qualquer pessoa inteligente percebe que, nem todo membro de torcida organizada é criminoso. E que atividades criminosas ligadas às torcidas organizadas nem sempre (aliás, quase nunca) expressam o pensamento das diretorias destas torcidas. Eu disse “nem sempre”. Há casos em que isso invariavelmente ocorre, infelizmente.

        O fato é que membros de torcida organizada geralmente sofrem de uma carência por atenção e poder, seja em virtude do seu lugar de origem, seja em virtude do tratamento que recebem do poder público, seja pela embriaguez causada pela falsa sensação de poder que um grupo grande e organizado propicia. Uma imensa maioria de policiais, em qualquer parte do mundo, sofre do mesmo mal (basta ver a infindável quantidade de abusos cometidos por policiais). Alguns chamam de corporativismo. Eu chamo de carência. A sensação de que se é invencível, intocável. E se alguém enfrentar, meus companheiros me dão suporte. Então, bora pra porrada.

        Esse lado obscuro da torcida organizada, ao contrário do que todo mundo prega, constitui um tipo de crime “desorganizado”. Frequentemente é um crime pelo crime. O criminoso é de ocasião, apenas pela adrenalina do momento. Não há estrutura organizada para movimentar dinheiro, angariar fundos, disputar mercados, como nos morros cariocas. E justamente por ser desorganizado, esse tipo de crime se torna o mais perigoso e o mais difícil de ser combatido.

        Grande parte desse tipo de criminoso compõe-se de jovens (ou até mesmo crianças) que gostam de brincar de bandido. Gostam da adrenalina de correr da polícia, de disputar territórios (para que fins mesmo?), de exibir armas que não lhes pertence, de perpetrar agressões gratuitas contra quem quer que ostente motivos de times rivais. Enfim, crimes banais, perpetrados por mentes vazias, sem um objetivo maior. E a dificuldade em combater esse tipo de criminalidade reside justamente no fato de não haver motivo aparente para sua existência.

        O motivo, mais escondido, está onde ninguém quer procurar: falta de emprego, de educação (familiar e escolar). De se suprir a carência demandada, com atenção e dedicação do poder público e da família. Certamente, teremos torcedores e policiais melhores. E todo mundo vai querer participar de uma torcida organizada (porque sabe que crime organizado é outra coisa).



ps.: Não concorda? Deixe sua opinião nos comentários!!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Na Velocidade da Informação


Feliz 2012, prezados leitores que, vez ou outra, passam por aqui! Geralmente, bebedores de cafezinho de repartição, hehe! (eu confesso que não sou muito adepto desse tal cafezinho).

Primeiro assunto do ano!

No interior (e na capital, há muito tempo atrás), dizem que notícia ruim corre rápido. Hoje em dia, qualquer notícia corre rápido, basta que seja um pouquinho interessante. Ou se for fofoca. Ou, dependendo, se formar uma frase que tenha sentido. Quem é usuário frequente da internet sabe do que eu estou falando.


Florinda Meza - Assassinada pelo Twitter
Os responsáveis pela rede social do “Twitter” se auto-definem como uma estação de rádio virtual. Por ali, as notícias voam numa velocidade altíssima. Para se ter uma ideia, em certa tarde do ano passado, uma apresentadora de TV mexicana veiculou em seu perfil no twitter a notícia de que a atriz Florinda Meza, responsável pela personagem Dona Florinda, do seriado Chaves, havia falecido. Em menos de meia hora, o assunto já havia se tornado um dos mais comentados no mundo! O nome dela estava entre as palavras mais mencionadas, no mundo inteiro. E, em pouco menos de vinte e quatro horas, a própria atriz (através do perfil de twitter de seu filho, Roberto Gomes Fernandez), divulgou nota dizendo que estava bem! Vivinha da silva.

Veja aqui a reportagem do Site Canal 8 

Esse caso ilustra bem a velocidade da informação nos dias de hoje, com a popularização das redes sociais. Em pouco menos de 40 minutos, o mundo inteiro ficou sabendo que uma atriz dos anos 80 havia falecido, e nesse mesmo prazo, a própria atriz desfez a mentira! Alguém diria que isso seria possível nos anos 80? Ou anos 90? Até hoje, tem gente acreditando que o homem não foi à Lua.

A evolução tecnológica tem sido direcionada a esse fluxo de informação. Afinal de contas, nossa vida é informação! Qual a sua idade, qual seu endereço, suas preferências profissionais, pessoais, culturais, sexuais... são dados valiosíssimos na mão de quem sabe o que fazer com eles. E ter acesso a eles não significa necessariamente invasão de privacidade. Isso porque, exatamente por ser valiosa, a informação vira moeda de troca: grandes empresas organizam e direcionam o fluxo a você que, em troca, utiliza suas preferências para acessar propagandas e anúncios comerciais, estes últimos, os grandes provedores financeiros de todo o sistema.

Nesse contexto, podemos notar dois sentidos em direção aos quais os novos dispositivos tecnológicos (smartphones, televisores, computadores, notebooks, videogames) e as atuais ferramentas de software (Twitter, Google, Facebook, Yahoo!) estão se desenvolvendo: promover acesso à maior quantidade possível de informação disponível na rede – o que vem sendo feito desde os primórdios da internet e, ainda nos dias de hoje, é valorizado; e organizar da melhor forma possível esse acesso pelo usuário interessado, de maneira a satisfazê-lo em sua pesquisa da maneira mais rápida ou, principalmente, da forma mais individualizada (e pessoal) possível – o que começa a se tornar prioridade nos últimos anos.

Grandes empresas como a Google e o Yahoo!, portanto, já não se contentam com a quantidade de respostas dada a uma pesquisa feita por seus usuários. Isso não têm se enquadrado mais no conceito de “pesquisa completa”. De agora pra frente, a corrida por uma boa ferramenta de buscas passa pelo perfil individual de quem faz a pesquisa. O usuário mora em Goiás? O usuário gosta de futebol? O usuário é filho único? São informações que passarão a influir no tipo de resultado obtido. Se eu, que sou torcedor do Goiás, pesquisar pela palavra “futebol” em uma ferramenta dessas, o retorno deverá priorizar notícias, dados, estatísticas sobre o futebol em Goiás, jogadores contratados pelo meu time, resultados de campeonatos regionais, e assim por diante. Enfim, resultados que se adequem ao meu perfil de usuário.


Da mesma forma, sistemas operacionais de televisores, smartphones e notebooks/computadores estarão cada vez mais amoldados às preferências de utilização de seu usuário. Comandos (e reconhecimento) de voz passarão a ser um recurso comum. Para se dar um exemplo, o assistente pessoal Siri, disponível nos novos iPhone 4S, da Apple, não faz a simples cognição da voz de quem fala. Ele interpreta o que o usuário pede, provendo um resultado mais exato ao que foi solicitado. Caso o usuário peça uma ligação para a mãe dele, a Siri pedirá para o usuário dizer quem é a mãe dele. Depois dessa vez, a assistente associará automaticamente, todas as vezes em que for solicitada, a pessoa referida como mãe do usuário. E assim por diante.

Dessa maneira, o que vemos é uma tendência de, cada vez mais, desenvolverem-se utilitários singulares, com características particulares, ou que obtenham o perfil único de seus utilizadores, para prover um acesso mais completo e preciso ao gigantesco número de informações que circulam na internet.

E nessa área, preparem-se para a enxurrada de lançamentos em 2012. Vai ser produto atrás de produto, cada um com recursos mais fantástico que outro. Reconhecimento facial, sensores de movimento, conexão de alta velocidade (internet 4G)! iPhone 5, iPad 3, iOS 5.1 (e, quem sabe, 6), Windows Phone, Windows 8, enfim!

O objetivo utópico, logicamente, é o de que, um dia, cheguemos ao acesso unicamente via pensamento. A velocidade e a precisão de um comando mental será capaz de movimentar um sistema intuitivo a tal ponto que será difícil distinguir o que é mais rápido: a velocidade do pensamento, ou a velocidade da informação. Se é que não serão a mesma coisa.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

FAITH NO MORE

Bandas que você não pode deixar de conhecer
Mike Patton, meio Bossa Nova, meio Rock'n'Roll
(Houve quem dissesse que era Pai de Santo)


Na verdade, eu estava acordado até meia-noite de uma segunda-feira (14/11/2011) esperando a transmissão do show do Alice in Chains, ao vivo do Festival SWU, pela Multishow. Estava curioso para saber como o novo vocalista, Willian DuVall, conseguiria segurar a barra em “Would?” e “Rooster”, no lugar de Layne Staley, vocalista original falecido em 2002.

Dai o Henricão (@henriqueBSA) me disse, pelo twitter: “Bicho, continua acordado e assiste ao próximo show! Faith No More! Você não vai se arrepender!”. Começou a chover em Goiânia bem no começo do show, o sinal da TV do Henricão sumiu e ele perdeu o show inteirinho. Eu não perdi nem um segundo. E, realmente, não me arrependi.

O Faith No More é considerado como uma das bandas de rock mais famosas dos anos 90. Antes disso, entretanto, em 1981, a banda se chamava Faith No Man e era liderada pelo guitarrista Mike Morris, o qual todo mundo conhecia por “The Man”. Os outros integrantes, Roddy Bottum, Mike Bordin e Billy Gould, perderam a paciência com o the man e resolveram partir pra outra. Como a banda praticamente era do Morris e não dava para despedi-lo, resolveram o problema fundando outra banda: o Faith No More. O próprio nome era significativo, já que mencionava explicitamente (e de forma bem-humorada) que o “The Man” vazara. “No More The Man”. Isso, em 1982.

Entra Jim Martin para assumir as guitarras. Faltava ainda um vocalista imponente e, depois de tentarem centenas de nomes (até Courtney Love fez teste!!), escolheram Chuck Mosley. Nessa formação, lançaram dois álbuns (We Care a Lot, de 1985 e Introduce Yourself, de 1987). Mas a banda não decolou.

A verdade era que Roddy, Billy e Mike (o Bordin) não estavam satisfeitos com a performance de Chuck Mosley. Dai aproveitaram que o cara era alcoólatra e dava muito trabalho no palco para dar um pé na bunda (providencial!) no cara.

Nessa hora, abre-se um capítulo totalmente novo na história do Faith No More. Na busca por um novo vocalista, Jim Martin ouviu uma demotape da banda Mr. Bungle e acabou sugerindo o nome de Mike Patton. Esse, sim, deveria ser apelidado de “The Man”.

Na história do rock, a coisa mais comum que vemos é um cara visionário e carismático que, seguindo seus instintos, reúne 3 ou 4 amigos e funda uma banda de rock foderástica (ex.: Dave Ghrol e Foo Fighters; Lars Ulrich e Metallica; Chris Cornell e Soundgarden, etc). Com a entrada de Mike Patton para o Faith No More, entretanto, a banda passou a figurar numa categoria rara: a das bandas que, assim como Pearl Jam (com Eddie Vedder), já existiam antes do cara visionário, mas esperavam ansiosamente que ele desse as caras. E só se transformaram em foderásticas com o toque pessoal dele.

Patton chegou no Faith No More a tempo de entrar para o estúdio e ajudar na finalização do álbum The Real Thing (1989). E este álbum lançou a banda para a imortalidade, transformando-a num dos principais ícones do rock'n'roll.

Parecia milagre. O carisma de Patton e a profundidade das novas músicas conferiu um sucesso comercial jamais imaginado pelos caras. “Epic”, o grande hit da banda, tocava de meia em meia hora na MTV brasileira, que começava a se firmar. Era a música do momento. A cara dos anos 90. Claro, não podemos deixar de lado outras faixas excelentes como From Out of Nowhere (excelente para abrir shows!), Falling To Pieces, Zombie Eaters e a faixa-título, The Real Thing.

Em 1991, na segunda edição do Rock In Rio, o Faith No More tocou para um Maracanã lotado, que cantou várias das músicas do começo ao fim. Patton apaixonou-se pelo Brasil e, desde então, sempre trata nosso país de maneira especial.

Patton pode ser considerado um hiperativo cultural. O cara não pára, no palco ou fora dele. Assim, ao produzirem o segundo álbum, Angel Dust, o vocalista teve oportunidade de extravasar todo o seu experimentalismo, usando e abusando de batidas eletrônicas, funk e teclados. De certa forma, todos os integrantes queriam se distanciar um pouco do lado pop estigmatizado por “Epic”, o que resultou num disco bem diferente do anterior. Desagradou a crítica (principalmente americana). Mas os fãs foram ao delírio (no começo).

O álbum deu início a uma turnê gigantesca pelo mundo, na qual o Faith No More tocou exaustivamente em diversos festivais, abriu shows do Metallica e do Guns N'Roses (que, na época, desfilava seu Use Your Illusion).

Ao fim da tour, Patton exagerava no seu desprezo ao pop e à devoção dos fãs mais fiéis, chegando ao ponto de provocar a platéia em diversos shows. A parte do público que, tradicionalmente, tinha conhecimento superficial da banda (só conheciam “Epic”) tomou desprezo pelo grupo. Por outro lado, fãs radicais consolidaram seu culto ao FNM.

O terceiro álbum, King for a Day... Fool for a lifetime, surgiu em 1995, com uma musicalidade mais crua. O clima na banda, entretanto, não era dos melhores, já que a necessidade de Patton em explorar novas tendências musicais o afastava cada vez mais dos outros integrantes.

Esse clima afetou absurdamente a gravação do novo disco. Os teclados foram atenuados, e o som terminou se firmando como metal comum, sem muito da originalidade da banda. A falta de empolgação do público, inclusive, gerou o cancelamento da turnê européia pela metade.

Com o clima cada vez pior, os integrantes passaram a priorizar seus projetos solos. E, quando todos esperavam o anúncio do fim da banda, o FNM entra uma vez mais em estúdio, em 1997, para gravar seu último álbum: Album of the year.

Apesar de conter verdadeiras pérolas como Stripsearch, Last Cup of Sorrow e Ashes to Ashes, o disco teve uma recepção bastante fria de crítica e público. As músicas surgiam sem uma linha de união, sem nexo, como se fosse uma coletânea de B-sides, gerando um álbum inconsistente, se considerado coletivamente.

No mesmo ano, apesar de a banda estar em seu auge de experiência, proporcionando apresentações ao vivo verdadeiramente memoráveis, disputadas a tapa em território europeu, foi anunciada a separação do grupo.

Enquanto os demais membros do FNM se dedicavam a projetos (artísticos ou não) de pouca expressão, Mike Patton aproveitou a liberdade da carreira solo para engatilhar diversos projetos bastante consistentes, todos guiados pela despreocupação comercial e falta de apego à popularidade. Nessa época, reafirmou a genialidade que possui como artista.

Depois de mais de 10 anos separados, em 2009 o Faith No More anunciou sua volta para alguns shows ao redor do mundo. Inclusive no Brasil. E em 2011, marcou presença mais uma vez em solo brasileiro, no Festival SWU. Numa apresentação memorável, não faltaram demonstrações de reverência à cultura brasileira por parte da banda.

Pra começar, o garoto Cacau Gomes, de Recife, declamou poemas no início e no meio da apresentação. Após, todos tocaram vestidos de branco, em menção ao candomblé. Patton entrou no palco de chapéu panamá, bengala e charuto, no melhor estilo Bossa Nova carioca. Sem contar que Mike conversou praticamente o tempo todo em português, executando a música “Evidence” na já tradicional versão brasileira. Por fim, a música Just a Man contou com a participação discreta (mas da mais alta sensibilidade) das meninas do coral de Heliópolis.

Não se sabe se a banda voltará definitivamente, com um calendário mais extenso de apresentações para 2012 e Mike Patton garante que não existem planos para o lançamento de um novo álbum. O legado do Faith No More, entretanto, é inegável, tendo influenciado centenas de bandas dos anos 90 e até do novo milênio. A principal força do FNM é seu caráter desafiador. Surgida no momento em que bandas dos anos 80 se arrastavam em cima de velhos sucessos, e num cenário onde o Pop tomava conta da cena musical e o rap conquistava as paradas mais altas de sucesso, o rock autêntico (e ousado - em conteúdo e em técnica) produzido por Patton e companhia é, sem dúvida alguma, atemporal (ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, virou a cara boa dos anos 90).

O show do Faith No More no SWU foi um dos shows mais loucos que eu não fui na vida (infelizmente). Mas a banda, definitivamente, é de conhecimento obrigatório para quem quer estar em contato com a boa música (e o excelente rock'n'roll). "Porra, caralho!"