quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Origens sombrias da cultura brasileira



2. Polícia para quem precisa

Um fato interessante sobre o período colonial está relacionado à escravidão.
Depois de anos acostumados com a mão-de-obra barata vinda dos milhares de escravos negros africanos, a sociedade brasileira colonial achava esse tipo de relação de trabalho mais do que comum. Aliás, mais do que um simples costume, ter escravos era sinal de status. Fazia parte da estrutura social, de forma visceral.

Dessa forma, era normal passear com escravos, depender deles, maltratá-los e castigá-los. As punições, inclusive, eram feitas em qualquer lugar. Nas praças, na porta de casa, nos quintais, enfim, em qualquer canto. Os açoites ou chibatadas, punições mais severas, eram feitas nos troncos, em praça pública.

Quando D. João VI veio para o Brasil, fugindo de Napoleão, trouxe consigo toda a sua corte. Nobres, funcionários, familiares, enfim. Muita gente que nunca tinha vindo ao Brasil (inclusive o próprio rei) deparou-se com um mundo totalmente novo nas terras além-mar.

Naturalmente que o nível de desenvolvimento social da colônia era diversas vezes mais baixo que o da metrópole e o do resto da sociedade européia. Assim, toda essa gente portuguesa estranhou muito o que encontrou por aqui, principalmente no que tange à educação e ao refinamento dos colonos.

Uma das primeiras atitudes do rei quando se instalou no Brasil foi, imediatamente, cuidar dos modos da colônia. Já que iria morar no Rio de Janeiro por um bom tempo, que fosse em uma cidade digna. Que estivesse em um patamar pelo menos próximo do de sua cidade natal.

Estabeleceu, então, a Intendência Geral de Polícia da Corte, que era uma espécie de prefeitura misturada com Secretaria de Segurança Pública, nomeando Paulo Fernandes Viana como o “agente civilizador”. Seria ele responsável por melhorar a qualidade das ruas da colônia, providenciar iluminação, aterrar pântanos, cuidar do suprimento de água e comida na cidade, dentre outros.

Nessa perspectiva, o açoite de escravos em vias pública foi considerado bárbaro, não condizente com uma cidade de nível europeu, tida como civilizada. E para combater isso, o “prefeito-delegado” passou a proibir essa prática. Determinou, inicialmente, que o castigo a escravos deveria ser feito no interior das residências, longe dos olhos do resto da população. E, posteriormente, estatizou esse tipo de punição.

Assim, foi instituído um “carrasco” ou “executor” das punições, funcionário público, responsável por cumprir com os castigos determinados pelos donos dos escravos. O direito de dar chibatadas passou a ser exclusividade do Estado. E longe dos olhos do público. Familiar?

Quem é que sabe o que acontece nos porões das Delegacias, atualmente? A maioria das pessoas aceita ou até defende a tortura como fim de obtenção de confissões. Ou de castigo a criminosos. O sentido é o mesmo. Todos acham necessário. Desde que longe dos olhos do público. Talvez o costume atual esteja tão arraigado justamente por ter raízes tão antigas. Somos escravistas até hoje.

Fontes de pesquisa:

Site - http://pt.wikipedia.org
Livro – GOMES, Laurentino. 1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Origens sombrias da cultura brasileira


  1. 1. Nosso nome de batismo

O Pau-Brasil, cujo nome científico é Caesalpinia echinata, é um tipo de árvore nativa da Mata Atlântica. Recebeu esse nome em razão da resina cor de brasa que tinge sua madeira. Antes de receber esse nome em português, entretanto, seu nome em tupi já era ibira pitanga, ou "madeira vermelha".

Após a descoberta do Brasil, a primeira grande atividade econômica explorada pelos portugueses na então Terra de Santa Cruz era a extração da madeira e da resina de Pau-Brasil para uso como tintura em manufaturas de tecidos de alto luxo. Com o crescimento da importância dessa atividade e a abundância da matéria-prima, em pouco tempo a colônia portuguesa passou a se chamar Brasil.

A extração desenfreada e sem qualquer fiscalização do Pau-Brasil levou à sua drástica diminuição em território brasileiro, chegando às beiras da extinção. Devido a isso, a metrópole passou a exercer fiscalização intensa sobre a atividade na colônia. Não só devido ao risco para a espécie, mas, sobretudo, para evitar o contrabando e a exploração por estrangeiros.

Especula-se que o nome correto da pessoa nascida no Brasil, de acordo com as origens dos nomes de nacionalidade de outros países, deveria ser “brasiliense” ou então “brasiliano”. Não é à toa que, em outras línguas, nosso nome seja traduzido como “brazilian” (inglês, irlandês, latim), “brasilianer” (alemão), “brasiliano” (italiano), dentre outros. Mas nosso nome não segue à lógica padrão, porque não está ligado, originariamente, ao nome de nosso país.

Brasileiro, em sua origem, é definido como “aquele que transporta/produz/extrai pau-brasil”. E, posteriormente, de maneira ainda mais forte, passou a significar “aquele que trafica pau-brasil”.

Apenas depois de dado o nome ao país – Brasil – e de plantada a semente do patriotismo é que buscou-se um cuidado maior com a designação de nossa nacionalidade, vinculando a palavra única e definitivamente.

Nossa maldição já começa de nossos nomes. Somos, originariamente, traficantes. Nascemos de uma atividade ilegal. Dai como temos responsabilidade ainda maior em nadar contra a corrente da História e modificar nossos costumes, buscando verdadeiramente os objetivos traçados por nossas leis.



Fonte de pesquisa:

Site - http://pt.wikipedia.org

Origens sombrias da cultura brasileira




Depois de boiar por muito tempo, decidi ler o livro 1808, do Laurentino Gomes. Está entre os mais vendidos no Brasil, durante muito tempo.

Livros, filmes e álbuns best-seller não costumam me chamar a atenção simplesmente por estarem nessa condição. Mas é sempre bom dar uma olhada para saber do que se trata.

A linguagem é excelente. E a pesquisa realizada pelo autor para escrever o livro foi muito bem feita e bastante profunda. Recomendo muito.

Entretanto, como eu sei que muita gente não vai animar pegar para ler – seja por falta de tempo, falta de costume, ou falta de interesse no assunto – eu decidi escrever alguns posts sobre fatos históricos interessantes que eu vi no livro, jogando algumas análises e pesquisas que eu fiz na internet. Ressalto que as opiniões são só minhas e não do Laurentino! Apenas citei os fatos e curiosidades históricas que o autor mencionou.

São fatos importantes para a gente perceber nosso papel na História, nossa responsabilidade como brasileiros e os desdobramentos disso tudo. No mínimo, ajudam a explicar o porquê disso tudo que anda acontecendo no nosso país (corrupção, violência, pobreza, etc).

Espero que todo mundo ache tão interessante quanto eu.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A Estranha Democracia Brasileira

Parte 01 – A fila do estádio e o político

Outro dia, eu estava na fila de entrada das arquibancadas do Estádio Serra Dourada, esperando para assistir a um dos jogos do Goiás. A fila era enorme, mal organizada e ninguém estava se importando muito com isso. Todo mundo só queria entrar.

Quando eu estava próximo das catracas, um sujeito de, aparentemente, uns 50 anos, aproximou-se de mim e disse: “Posso encostar aqui, irmão?”. Pego de surpresa, eu não soube o que responder de imediato. A Marina, minha namorada, que estava do lado, pensou mais rápido e lançou “Isso aqui é fila! Vai lá para trás!”. A minha ficha caiu e eu ajudei: “Não vai cortar fila aqui não”.

Ao redor, as pessoas ouviam, mas não diziam absolutamente nada. E o homem respondeu: “Calma! Tá tudo tranquilo! É fila mesmo, por isso estou te pedindo pra entrar! Fila é para ser cortada”. Dai eu respondi: “Aqui o senhor não vai entrar não”. E ele, já entrando: “Tranquilo! Não vamos brigar por isso não! Fila é isso ai mesmo!”. Ele não entrou perto de mim. Mas as pessoas atrás deixaram ele entrar, sem problemas.


A coisa mais clichê que existe é brasileiro reclamando de político. Via de regra, com razão, já que a maioria deles parece se esquecer de que foi eleito para representar o povo. Cuidam de seus próprios interesses, ou o de seus partidos e o interesse da nação, que se lasque. A situação é quase idêntica à de tirar os controles e câmeras do operador do caixa no banco. E deixá-lo sozinho cuidando do dinheiro. Que, teoricamente, não é de ninguém. E seus colegas caixas ainda o incentivam: “Pega só 40%, ninguém vai notar. Qualquer coisa, esconde na cueca”. E o brasileiro não perdoa no twitter. Xinga muito! Ir para a rua, ninguém quer.

E quando chega na fila do estádio, dá aquela encostadinha: “Fila é isso ai mesmo! É para ser furada. Ninguém vai reclamar não, irmão! Tá na paz!”

A questão é que, ficou tão clichê reclamar de político, que qualquer coisa que eles façam é digna de crítica. Ninguém quer ler a lei pra saber o quê ela fala. Ninguém quer saber a conjuntura econômica, política, social para saber a natureza do ato do político. Ele que fez? Então, ferro!

A questão dos aumentos dos salários mesmo. Deputados federais e uma porção dos estaduais foram duramente criticados (e até hoje são!) por votarem seus próprios salários, aumentando-os, em alguns casos, em mais de 70%. E o que ninguém sabe é que eles precisavam fazer isso. Queriam, claro, acharam maravilhoso! Mas o sistema democrático adotado pela República Federativa do Brasil exigiu isso. A liberdade, a igualdade, a Justiça pelos quais todos clamam exigiu isso.

O que aconteceu foi que os salários do Executivo e do Judiciário estavam muito acima dos salários do Legislativo. E já que os Poderes instituídos são iguais, absolutamente necessário que os salários dos cargos equivalentes, em cada Poder, seja igual. Grosso modo, o salário do Governador deve ser igual ao salário dos Desembargadores, que deve ser igual ao salário dos Deputados Estaduais e assim por diante. E no nosso país, só se pode aumentar salário, no caso do funcionalismo público, através de lei. E quem faz a lei? A Assembleia Legislativa, no âmbito estadual e o Congresso Nacional, no âmbito federal. Não é juiz quem faz e vota lei. Não é governador. Não é Ministério Público. Nesse caso, portanto, os deputados, senadores, etc, etc, estão agindo dentro da mais absoluta legalidade. É dever deles fazer isso, se quiserem manter a isonomia e equilíbrio entre os três Poderes. Obviamente, nesse caso, todos eles acharam o máximo. Afinal, uma vez na vida, o dever (e a vontade) deles bateu direitinho com o que o Sistema Democrático demandava.

O que se deve questionar é o valor alto dos salários de todo mundo! Dos deputados, dos desembargadores, dos governadores. De todo mundo! O valor dessa equiparação, de modo geral, é que não condiz com a realidade brasileira. E não a atitude tomada pelos deputados.

E dai, no dia seguinte, todo mundo mete o pau sem entender porcaria nenhuma do que tá acontecendo e, de noite, vai pro estádio tentar furar fila.

Parte 02 – Eu posso. Você, não. Isso é democracia.

Acontece que o músico Tonho Crocco (@tonhocrocco), sem estar muito por dentro do que estava acontecendo mas, de forma absolutamente correta, exercitando seu direito (e dever!) de protestar, veiculou na internet, aproximadamente no dia 22 de dezembro, um vídeo chamado “Gangue da Matriz” (disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=SukPLNWgY7M ), no qual expõe todo o seu inconformismo contra a atitude dos deputados da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Tonho Crocco, no rap "Gangue da Matriz"
Aparentemente (a gente nunca sabe as motivações políticas que existem nos bastidores), os deputados se sentiram ofendidos e, por meio de iniciativa do presidente da Assembleia, encaminharam pedido de providências ao Ministério Público. Resumo: deu num processo contra o Tonho Crocco, por crime contra a honra.

A partir dai, o brasileiro xingou muito no twitter. O nome do músico figurou entre as palavras mais mencionadas (trending topics), pessoas do Brasil inteiro xingaram, extravasaram sua raiva, seu inconformismo. As torcidas de Grêmio e Internacional e até alguns artistas famosos deram seu apoio à causa, como o também músico Tico Santa Cruz (@ticostacruz), vocalista do Detonautas e, de forma mais tímida, Humberto Gessinger (@1bertoGessinger), dos Engenheiros do Hawaii e Pouca Vogal.

Todos declarando seu repúdio à censura, à falta de vergonha na cara dos políticos. Muitos explicitaram o atraso do país, outros apoiando a luta por um país mais justo. E, no meio desse turbilhão, a meu ver, ninguém entendendo porcaria nenhuma do que tá acontecendo. Opinião minha.

De forma irresponsável e radical, estão condenando o exercício de um direito constitucionalmente garantido. Não estou falando do direito de liberdade de expressão, de Tonho Crocco. Esse, ele já exercitou. Estou falando do direito de acesso à Justiça, legitimamente exercitado pelos deputados.

O que estão defendendo é poder falar o que quiser, sem ouvir o que não quer. Até agora, não houve censura. Não houve truculência. Não houve inconstitucionalidade! Cada parte está expressando sua opinião (um, contra o aumento salarial dos deputados. Outro, contra a ofensa supostamente sofrida com o vídeo na internet. Outros, boiando, contra a situação como um todo.). Censura seria prender o Tonho pelo que ele disse. Jogar a polícia em cima dele. Ou coibir os deputados de acionar a Justiça. Em ambos os casos, a censura estaria estabelecida.

O músico Tonho Crocco protestou.
O que estão pregando é a ditadura. “Eu posso falar o que eu quiser. Quem é contra mim, não!”. Os brasileiros, ao contrário do resto do mundo, devem aprender que o “direito de ação” é diferente e autônomo ao “direito material”. Uma coisa é ter o direito de ir mostrar seu problema pro juiz. Outra coisa é o juiz conceder esse direito.

Então, nobres brasileiros que xingam muito no Twitter, um recado: aguardem a decisão judicial! Até agora, o que estamos presenciando é um exercício da democracia, tão legítimo quanto uma eleição. Se quisermos evoluir para a condição de “país de primeiro mundo”, temos de acostumar com isso. E, caso seja negado o direito de livre expressão ao Tonho, numa decisão judicial viciada, ai sim, devemos despregar essas bundas gordas de nossas cadeiras e ir às ruas protestar. Ai, sim, haverá censura.

Por enquanto, discutam o caso. Façam barulho. Chamem a atenção. Mas entendam que isso é a tão cultuada democracia! Democracia tem que existir para os dois lados.

E parem de furar fila nos estádios (e em qualquer outro canto), que é a mesma porcaria que um político esconder dinheiro na cueca.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Goiás, Vila Nova e Atlético Goianiense





Uma discussão freqüente entre as torcidas de times de todo o país é em relação a qual o melhor time, qual a maior torcida. Nessa hora, entram os títulos, os confrontos, números, estatísticas, episódios isolados e tudo mais. Aqui vai mais uma mãozada de ingredientes para apimentar a questão. Principalmente porque Vilanovenses se gabam de ter a maior e mais apaixonada torcida do centro-oeste. E Atleticanos usufruem de uma confortável posição de participante do Campeonato Brasileiro série A – ainda que, na tabela, encontrem-se entre os 4 piores times (a famosa “zona da degola”).

O maior público do campeonato brasileiro série B desse ano foi registrado no jogo entre Goiás x Paraná, dia 14 de junho de 2011, com público pagante de 21.754 pessoas.
O Goiás tem a terceira maior média de público no brasileirão série B 2011, com 11.264. Só perde para o Sport (em primeiro com média de 16.976 pagantes) e para o Grêmio Barueri (média de 13.061 pagantes).

São esperadas 30 mil pessoas para Goiás x Sport, dia 26/07/2011, já que o jogo é entre os times que registram os maiores públicos pagantes do campeonato (Goiás em primeiro, Sport em segundo). Mas foram disponibilizados 40 mil bilhetes.

O Vilinha ocupa a distante oitava posição em média de público, com 6.061 pagantes. (Cadê a "maior torcida do centro-oeste"?). E não figura entre nenhum dos 10 jogos de maior público do campeonato. O Goiás ocupa a primeira, a quarta e a décima marca dos dez jogos com maior público registrado. As outras sete vagas são de Sport, com 6 posições, e 1 do clássico Ponte Preta x Guarani.

O Atlético-GO, na série A, está na zona de rebaixamento. A média de público é de 8.317 pagantes. Bem menor que a do Goiás. Mas, ainda assim, maior que a do Vila.

Sobre as torcidas, a Revista Placar divulgou pesquisa, estabelecendo um Ranking Nacional e um Ranking Regional. Os dados são o seguintes:

NACIONAL

1º Flamengo: 15,34%
2º Corinthians: 14,83%
3º São Paulo: 11,89%
4º Palmeiras: 8,58%
5º Vasco: 4,47%
6º Santos: 3,80%
7º Cruzeiro: 3,38%
8º Atlético-MG: 3,04%
9º Botafogo: 2,12%
10º Fluminense: 1,66%
11º Grêmio: 1,19%
12º Bahia: 0,77%
13º Sport: 0,70%
14º Atlético-PR: 0,62%
15º Vitória: 0,57%
16º Internacional: 0,55%
17º Goiás: 0,38%
18º Coritiba: 0,35%
19º Santa Cruz: 0,27%
20º Náutico: 0,22%
21º Paraná: 0,09%

Outros: 25,19%

REGIONAL - Em Goiânia-GO:

1º Goias - 23,7 %
2º São Paulo - 17,1 %
3º Seleção - 17,1 %
4º Outros - 11.8 %
5º Palmeiras - 10.5 %
6º Corinthians - 7,9 %
7º Vila Nova - 6,6 %
8º Flamengo - 5,3 %

Numa pesquisa divulgada em 07/07/2011, realizada pela SERPES apenas em Goiânia, eliminando os times de fora e comparando apenas os times goianos, temos as seguintes porcentagens:

Goiás – 26,73%
Vila Nova – 14,62%
Atlético – 9,40%
Outros – 7,70%
Não torcem/Não quiseram responder – 40,88%

Vale dizer que, no interior, a quantidade de Atleticanos é mínima, já que os torcedores deste estão ligados, basicamente, à região de Campinas. Os Vilanovenses também são muito poucos, devido à identificação do clube com a região do bairro da Vila Nova. De forma que, se formos considerar o Estado todo, e não apenas a capital, essa diferença de porcentagem se amplia ainda mais.

Outro aspecto interessante é se compararmos os times em si, independentemente de torcida. Num apanhado geral dos maiores clássicos do país, como Atlético-MG x Cruzeiro, Flamengo x Botafogo, São Paulo x Corinthians, etc. temos que o clássico entre Goiás x Vila Nova é o que ostenta as maiores diferenças. Dos jogos disputados, o Goiás venceu 165 e o Vila, apenas 65. A diferença é a maior do país – 70 vitórias a mais para o Goiás – estabelecendo o que se chamou de “A Maior Freguesia do Brasil”.


Fontes:

- http://pt.wikipedia.org/wiki/Campeonato_Brasileiro_de_Futebol_de_2011_-_S%C3%A9rie_A
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Campeonato_Brasileiro_de_Futebol_de_2011_-_S%C3%A9rie_B
- http://www.forumch.com.br/index.php?showtopic=3806
- http://www.serpes.com.br/pesquisa.aspx?ID=301

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Feeds





Um lance que eu curto bastante é poder acompanhar os blogs e podcasts que eu sigo diretamente do meu celular, no trânsito, ou num lugar chato onde eu esteja.

Para isso, é imprescindível um bom serviço de distribuição e um bom leitor de feeds. Para saber mais sobre isso, procure no Google. Vale à pena.

Para quem também curte e segue o blog, depois de muito trabalho, consegui estabelecer o link de feeds das postagens que rolam aqui. É só clicar no botão do íconezinho de RSS na barra ao lado.

Paralelamente, estou testando a publicação de podcast. De início, será apenas a versão em áudio dos artigos aqui publicados. Para quem se interessar, o link para subscrever (assinar) o feed do podcast também está no menu ao lado, já consertado.

Aguardo as críticas e sugestões!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Californikowski




Bukowski é o lado mal-humorado do rock'n'roll. Lendo um de seus livros, outro dia, me caiu a ficha: É ele quem está por trás de Californication. Aquela série do Tom Kapinos, da Showtime, com o David Duchovny protagonizando.

Charles Henry Bukowski

Charles Henry Bukowski foi um escritor nascido alemão, radicado nos Estados Unidos, mais precisamente em Los Angeles. Apesar de quase nunca tê-lo dito expressamente, era um fã ardoroso de L.A., tanto é que a cidade figura como personagem secundária em grande parte de sua obra literária.

O sucesso tardio alcançado por Bukowski (após os 40 anos de idade), advindo da publicação de suas ideias violentas e obscenas, rendeu-lhe o apelido de “velho safado”. E é o que imaginamos quando se fala no velho Buk: um cara ranzinza cheio de histórias absurdas sobre sua vida de bebedeiras.

Nesse ponto, podemos até compará-lo a Hunter S. Thompson, escritor americano ícone do chamado jornalismo “gonzo” e famoso pelo livro “Medo e delírio em Las Vegas”. Nesse estilo, frequentemente o próprio autor se junta aos personagens, numa mistura indistinguível entre realidade e delírio. É o que Bukowski faz, por exemplo, na série “Crônicas de um Amor Louco”.

Hunter S. Thompson

E o que Hank Moody tem a ver com isso? Além do próprio nome – Hank é um apelido frequente para Henry e “Moody”, numa tradução literal, significa “mal-humorado” -, basta assistirmos a alguns episódios de Californication para identificarmos o amor a Los Angeles, as obscenidades e confusões associadas a Bukowski e o tipo de “humor mal-humorado” que permeia as falas do Hank da vida real. A vinheta de abertura do programa, inclusive, é uma ode às tentações oferecidas por uma Los Angeles de excessos.

Há quem diga, inclusive, que o romance “Women”, publicado por Bukowski, traduza uma literalidade ainda maior entre seu protagonista, Henry Charles “Hank” Chinaski e o próprio Hank Moody.

E, a meu ver, é esse lado “gonzo” de Californication que hipnotiza as pessoas. Conviver com um personagem com um pé na realidade e que flerta com delírios obscenos e absurdos nos leva, ao mesmo tempo, a questionar os modos de vida instituídos como "padrão" pela sociedade atual, bem como a passear por esse mundo absurdo, para descansar um pouco de nossas vidas certinhas, sem ameaçá-la e sem ter que abdicar de nossa moral construída (e, muitas vezes, instituída).

Hank Moody

Eu não invejo Charlie Harper, um personagem (?) milionário, esbanjador, vazio, fruto do estilo hiper consumista norte-americano. Invejo Hank Moody, o escritor meio pobretão que se enrola em seus dramas pessoais e cria confusão para todo mundo mas que, inevitavelmente, carrega o lado rock'n'roll da vida no bolso, para quando as coisas estiverem chatas demais. E, frequentemente, elas estão.